X de Kant

O X de Kant

Immanuel Kant chamou à atenção para o facto de nós termos sempre de acrescentar um suplemento a todos os nossos pensamentos, independentemente daquilo que estamos a pensar: a frase “eu penso”.

Sem a consciência de que “sou eu que penso”, não existe qualquer pensamento que mereça esse nome. Sem a autoconsciência de que a consciência se pensa a si mesma, não é possível qualquer conteúdo dessa consciência.

Um computador pode percorrer o seu programa sem este “eu penso”, mas não pode, por isso, pensar como um ser humano.

No “eu penso” do sujeito humano, todos os conteúdos da consciência estão ligados; o eu penso do humano é a condição lógica de qualquer pensamento — constitui o último ponto de referência lógico e o ponto de unidade de todo o conhecimento.

Na linguagem de Kant: o “eu penso” é a condição da possibilidade do pensamento.

Este “eu penso”, segundo Kant, é o “X” da condição humana. Não é possível reconhecer este X porque qualquer acto de pensamento já o pressupõe: o X é anterior ao próprio pensamento. — e por isso é que nenhum computador tem ou alguma vez terá este X.

Editado por (OBraga)

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