Tetralema

O princípio do terceiro excluído pode ser constatado na frase “nenhuma coisa pode ser, e simultaneamente não ser”. Segundo a lógica aristotélica, entre enunciados contraditórios não podem existir definições contraditórias: se uma é verdadeira, a outra é necessariamente falsa. Dois enunciados contraditórios não podem ser, simultaneamente, verdadeiros ou falsos. “Ser ou não ser: eis a questão!” ― Hamlet (Shakespeare) . A lógica grega introduz a validade do dilema na lógica dialéctica, o que ― convenhamos ― simplifica muito o processo de tomada de decisão.

Para um budista, não existem só dilemas, mas também e sobretudo tetralemas:

“1) o sujeito é X; 2) o sujeito é Y; 3) o sujeito é simultaneamente X e Y; 4) o sujeito não é nem X nem Y”.

Como podemos ver no nº 3 do axioma supra, existe a possibilidade do sujeito (objecto) ser simultaneamente “assim” e “não-assim”. Se o meu interlocutor tem uma tese que deduz uma contradição, a minha tese, sendo contraditória à dele, fica verificada na decorrência dessa mesma contradição. Não há teses excluídas à partida.

Dizer-se que alguma coisa foi e já não é, e que por isso essa coisa ― hoje ― é e não é simultaneamente, traduz a impossibilidade do “sim-não” de Descombes.

Editado por (OBraga)

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