Princípio da intencionalidade (Kant)

Princípio da intencionalidade (Kant)

Segundo Kant, o princípio regulador geral que o juízo reflectivo estabelece para si próprio é a intenção da Natureza.

Embora não possamos provar que a Natureza está intencionalmente organizada, devemos sistematizar o nosso conhecimento empírico vendo a Natureza como se assim fosse organizada. Segundo Kant, a sistematização do conhecimento empírico apenas é possível se agirmos com base no pressuposto de que uma compreensão, para além da nossa1, nos forneceu leis empíricas organizadas de modo a que nos seja possível uma experiência unificada.

Em si mesmo, o Princípio da Intenção da Natureza parece dizer-nos que se pretendermos construir uma subordinação sistemática das leis empíricas, devemos excluir conjuntos de leis incongruentes como sendo incompatíveis com uma organização intencional2 da Natureza.

PRESSUPOSTOS DO PRINCÍPIO DA INTENCIONALIDADE

  1. A Natureza escolhe o caminho mais curto (lex parsimoniae).
  2. A Natureza não dá saltos (lex continui in natura).
  3. Existe na Natureza apenas um pequeno número de tipos de interacção causal.
  4. Há, na Natureza, uma subordinação de espécies e de géneros, entendível por nós.
  5. É possível integrar as espécies em géneros progressivamente mais elevados.

Adenda:

Kant ficou muito impressionado pelo princípio de Maupertuis da “menor acção”, princípio pelo qual se podiam derivar, mediante uma interpretação adequada do termo “acção”, leis regendo o equilíbrio estático, as colisões e a refracção.

O princípio da menor acção, tal como o princípio do menor esforço de Leibniz, surgiu para exlicar o motivo por que essas leis individuais são obedecidas.

Maupertuis interpretou esse princípio como a evidência de uma acção deliberada do Criador (Deus). Kant, todavia, atribuiu-lhe apenas o estatuto de princípio regulador.



Editado por (OBraga)

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