Objectivismo Axiológico

O objectivismo axiológico1 remonta a Platão (século IV a.C.). Segundo Platão, os valores são ideias eidos que residem numa dimensão inteligível. O Bem, o Belo, a Justiça, o Amor são ideias absolutas (que valem por si mesmas), imutáveis (que não mudam em qualidade nem quantidade, eternas (não têm princípio nem fim) e objectivas (possuem uma realidade própria, independente do sujeito).

No diálogo O Banquete ou do Amor, Platão ao reflectir sobre o belo enquanto valor, enfatizou os princípio fundamentais da Teoria das Ideias defendida por ele :

"Quem tiver chegado até este ponto(…) depois de ter contemplado as coisas belas, numa gradação regular, quando atingir a meta suprema, em breve contemplará a beleza de uma maravilhosa natureza, a própria beleza que constitui o objectivo de todos os anteriores esforços: beleza eterna que não conhece nem o nascimento nem a morte, que não está sujeita a evolução de crescimento e diminuição, que não é bela por um lado e feia por outro; bela de um ponto de vista e feia de outro, bela neste lugar e feia naquele; beleza que não se apresentará com um rosto, nem com mãos nem com forma corpórea (…); beleza que em contrapartida existe nela mesma e por ela mesma, simples e eterna, da qual participam todas as coisas belas."

Platão, O Banquete, Coimbra, Atlântida

Na época contemporânea, é representado por filósofos como Scheler (1874-1928) e Nicolai Hartmann (1882-1950). Para estes autores, os valores são ideais e objectivos, residem no objecto, o sujeito apenas tem de reconhecê-los, devendo valer como modelos para toda a humanidade.

" É, pois, evidente a existência de qualidades axiológicas autênticas e verdadeiras, que constituem o domínio próprio dos objectos, as quais possuem entre si relações e correlações determinadas e que, enquanto qualidades axiológicas, se situam em diversos níveis. Donde a possibilidade de se estabelecer entre esses valores uma ordem e uma hierarquia totalmente independentes da presença do mundo dos bens através dos quais eles se manifestam e igualmente independentes das modificações históricas que possam ocorrer no mundo. Esta ordem e esta hierarquia devem ser justificáveis através de uma experiência //a priori ."//

Max Scheler, O formalismo em ética, in José S. Costa, Max Scheler, o personalismo ético



Editado por Alda Martins

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