Escol

Escol

A crise central da nacionalidade portuguesa deriva da sua impotência para formar escóis. Uma nação vale o que vale o seu escol.

As descobertas e as conquistas que se lhe seguiram, a emigração e as guerras que ambas motivaram, arrastavam consigo, como é natural, a parte mais forte, mais audaz, mais competente da nação. Assim se foi destruindo o escol.

O pior é que o escol se não renovou. Quer isto dizer que não tornaram a haver circunstâncias criadoras de um escol, ou, pelo menos, de um escol perfeito.

¿Quais são as circunstâncias criadoras de um escol? Um escol é tanto mais perfeito quanto mais: diferente é do resto da população em grau de tudo; quanto mais está contudo unido a esse resto da população por um interesse nacional; acção que tem sobre esse resto da população.

O escol não quer dizer uma classe, mas uma série de indivíduos.

Condições auxiliares do escol: a aristocracia de sangue, pois estabelece a cisão no país; um país democratizado baixa imediatamente o nível do escol.

Condições biológicas: não intervenção do Estado em matéria biológica ou demótica. Condições económicas: regime concorrencial o mais apertado possível.

Fernando Pessoa, Textos em Prosa


Editado por (OBraga)

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