diferença

Diferença

Diferença é sinónimo de alteridade. Esta definição não explica nada e é até tautológica. Seria como se se dissesse que “a cor branca é clara”. Por isso vamos ter que “trocar por miúdos” a noção de diferença.

Quando vários termos (ou pessoas, ou grupos de pessoas) têm algo em comum, isso significa que também existem características desses termos que não são comuns. Ou seja, esses termos são semelhantes, mas não são idênticos.

Ao contrário do que Heidegger dizia — que “a diferença só pode ser definida negativamente” porque alegadamente “não é idêntica nem semelhante” —, a diferença entre termos implica necessariamente a existência de semelhanças entre esses termos. Se não existe qualquer semelhança entre uma série de termos entendidos individualmente, não podemos falar de “diferença”, mas de “diversidade”: o “diverso”, sendo a desmultiplicação ad infinitum das características que separam radicalmente as identidades dos termos em questão, reúne em si tudo o que não pode ser incluído no discurso filosófico ou racional. Falar em “diversidade” não é falar naquilo que é concreto e objectivo: antes, é uma abstracção que nos conduz ao infinito e, portanto, ao ininteligível.

Diferença não é a mesma coisa que diversidade.


A diferença entre termos, ou melhor, entre indivíduos, pode ser “numérica” quando se opõe à identidade: por exemplo: um homem é diferente de outro homem, porque ambos têm identidades individualizadas (passo a redundância). E pode ser “qualitativa” quando dois seres humanos diferem pela sua natureza ou essência: por exemplo: um homem é diferente de uma mulher.

Estes dois tipos de diferença — numérica e/ou qualitativa — são objectivos e genéricos: sabemos que um indivíduo (homem ou mulher) não é, pela natureza das coisas, idêntico a outro; e sabemos por determinação natural que uma mulher não é idêntica ao homem. Contudo, entre um homem e outro homem, por um lado, e entre uma mulher e um homem, existem semelhanças, e por isso é que são diferentes.


Direito à diferença

Hoje afirma-se muitas vezes o “direito à diferença” (principalmente da esquerda que é a paladina dos Direitos do Homem). O “direito à diferença” não é a mesma coisa que “respeito pela diferença”.

O conceito de “direito à diferença” refuta-se a si mesmo — porque se os direitos do Homem fundamentam-se no princípio da igualdade natural de todos os seres humanos, o “direito à diferença” é a negação dessa igualdade natural fundamental. Além de ser contraditória em termos, o conceito de “direito à diferença” é radicalmente nocivo à sociedade, na medida em que a reivindicação de direitos especiais e exclusivistas de determinados grupos sociais — por exemplo, o feminismo, ou o homossexualismo —, pode conduzir a um retrocesso do princípio de igualdade natural, não só entre os dois sexos mas também entre os seres humanos em geral.

O “direito à diferença” é um absurdo e um perigo iminente de retorno à barbárie.

Editado por (OBraga)

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License