argumentum ad baculum

Argumento da força (argumentum ad baculum, ou baculino)

Este é o argumento de uma linguagem que constitui uma força, só porque declara que é forte: cria realidade, anunciando-a. Confronte-se, infra um uso algo diverso nos tópicos jurídicos. Pressupõe uma hierarquia pouco legitimável, com aversão aos argumentos lógicos. A força, hoje em dia, quase nunca é força física: está muito longe da que era visível na caça, no duelo ou no campo de batalha. Sublimou-se nos subtis abusos de autoridade e ameaças veladas. Apresenta-se, por vezes, sob a forma disjuntiva "ou calas ou comes", ou "comes ou não terás sobremesa", variantes do " a bolsa ou a vida". na verdade, nem só na serra se rouba.

A formulação pode evidenciar o sempre implícito estatuto condicional ("se não … não"). O discurso pode começar com uma referência ou alusão ao poder que um interlocutor tem sobre outro (poder emocional, económico, social ou hierárquico). E terminar com uma hipócrita concessão à liberdade: " claro que pode fazer como bem entender". … O que se pode sempre tomar à letra. A maior parte dos nossos tigres retóricos são de papel. Averiguar. Às vezes vale a pena o risco. E a liberdade tem sempre o seu preço.

Pode ainda relacionar-se o Argumento ad baculum (apelo à força como forma de persuasão) com o Argumentum ad Misericordiam (apelo à misericórdia como forma de indiferença ou ignorância do verdadeiro/justo/belo). O pedido de misericórdia pode ser uma forma de lidar com o abuso de autoridade, lisonjeando a autoridade: tal como o perdão, ou a graça de deus, a misericórdia é a demonstração última de uma autoridade e dos homens que querem ser Deus.

in MALATO, Mª Luísa, CUNHA, Paulo Ferreira, Manual de Retórica & Direito, Quid Juris Sociedade Editora,2007,
ISBN:978-972-724-331-0


editado por Alda Martins —- para desambiguação clique em debater no menu em rodapé

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