Abstracção

Abstracção

  • Do latim abstractio, de abstrahere, “tirar”, “retirar”

O significado comum de “abstracção” é o da “ideia afastada da realidade”, ou uma “quimera”. Mas nada mais falso que este significado comum, como veremos adiante.

Em filosofia, a “abstracção” é 1/ a acção do espírito que consiste em isolar um determinado elemento1 de uma representação2 ou de uma noção. Ou, 2/ a abstracção pode ser também o resultado dessa acção.3

Como vimos através do seu significado comum, as palavras “abstracção” e “abstracto” são muitas vezes usadas de forma pejorativa – como sinónimos de “vago”, “inverificável”, “sem relação com a realidade”. Porém, no sentido filosófico, e longe de não ter relação com a realidade (o concreto), a abstracção consiste, pelo contrário, na operação do espírito que permite, tratando-as separadamente, dar às qualidades das coisas e das pessoas, às relações que as unem, aos valores que lhes atribuímos – uma existência estável e um nome.

Abstracções como por exemplo “brancura”, “dureza”, "grandeza", "justiça", "liberdade", etc., são propriedades das coisas cuja identificação estrutura ou formata o nosso conhecimento do real, uma vez que nos fornece os critérios da distinção e de comparação.

A abstracção aplica-se, de modo particular, à determinação dos termos de uma definição e dos quadros de classificação dos objectos da experiência. Só a abstracção possibilita o conhecimento científico, filosófico ou simplesmente técnico, através da introdução de uma ferramenta mental separada das modalidades a que se aplica: por exemplo, o jardineiro só pode cuidar de cada uma das flores do jardim porque sabe, abstractamente, o que é uma flor.

Editado por (OBraga)

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