A Rede Conceptual da Acção

O termo Acção no contexto da Filosofia da Acção tem um sentido que deriva da sua etimologia.

" Em latim distingue-se o agere do facere, que em francês, por exemplo, dão agir e faire (…). Assim, etimologicamente, «acção» só mantém a carga semântica de agere, enquanto «fazer», mantém tanto a de agere como a de facere.
Tudo o que fazemos faz parte da nossa conduta, mas nem tudo o que fazemos constitui uma acção. (…)
(…) Uma acção é uma interferência consciente e voluntária de um ser humano(agente) no normal decurso das coisas, que sem a sua interferência seguiriam um caminho distinto."

in, MOSTERIN, Jesus, Racionalidad Y Acción Humana, Alianza, Madrid, 1997

Agir implica:

  • Um agente - o autor da acção, alguém que é responsável pelas consequências da sua acção.
  • Uma intenção - agir intencionalmente significa ter consciência do sentido daquilo que nos propomos realizar. Responde à questão: «para quê?»
  • Um motivo - é a razão consciente da acção, ou seja, a razão que permite compreender a intenção da acção. Responde à questão: «porquê?»
  • Uma deliberação - capacidade de prever e calcular as consequências das opções. O acto de agir é objecto de uma reflexão prévia.
  • Uma decisão/vontade - é a capacidade de escolher (Livre-arbítrio). Revela o poder do agente optar.

Exemplo:

" Supõe que estás na fila de uma cantina e que, quando chegas às sobremesas, hesitas entre um pêssego e uma grande fatia de bolo de chocolate com uma cremosa cobertura de natas. O bolo tem bom aspecto, mas sabes que engorda. Ainda assim, tiras o bolo e come-lo com prazer. no dia seguinte, vês-te ao espelho, ou pesas-te, e pensas:Quem me dera não ter comido o bolo de chocolate. Podia ter comido o pêssego."

in, NAGEL,T., O Que Quer Dizer Tudo Isto, Gradiva, 1999


As nossas acções não estão determinadas à partida. Temos sempre consciência de que poderíamos ter feito uma coisa diferente daquela que fizemos.
A acção humana para ser voluntária tem de resultar de uma escolha do próprio agente. Para poder escolher tem de ter Livre-arbítrio, que é a capacidade da vontade poder optar entre diferentes possibilidades. O contrário de livre-arbítrio seria ter uma vontade submetida à lei da causalidade, ou seja, a nossa acção estaria predeterminada e não teríamos escolha. Esta perspectiva chama-se determinismo.

editado por Alda Martins —- para desambiguação clique em debater no menu em rodapé

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